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SER DUAL: LUZ E SOMBRA NA ARTE REAL

(Oitavo capítulo do livro (ver imagem de capa) Sintropia e Entropia na Maçonaria: Ordo Ab Chao) de minha autoria. “Conhecer a própria escuridão é o melhor método para lidar com as trevas dos outros.” - Carl Jung A busca pela Luz, tema axial na simbologia maçônica, é frequentemente interpretada como um anseio por pureza, elevação ou iluminação espiritual. Contudo, o caminho iniciático nos convida a ir além dessa interpretação superficial. A Luz que a Maçonaria propõe não se opõe à escuridão como inimiga, nem pretende apagar a sombra como se fosse um erro a ser corrigido. Ela é, antes, um movimento de consciência: o esforço constante e corajoso de reconhecer, integrar e transcender as partes de nós que resistimos em ver. Nesse sentido, a jornada do iniciado não é uma fuga da sombra, mas um retorno a ela - com lucidez, presença e humildade. Na tradição esotérica e simbólica, Luz e trevas não são opostos excludentes, mas polaridades complementares de um mesmo processo de autoconhecimen...

A ESCADA DE JACÓ E PSICOLOGIA

A psicologia recebe contribuições inestimáveis da Maçonaria e vice-versa, ora por estudos que ambas realizam, ora pela interpretação de símbolos e mistérios da mente humana, ou simplesmente porque estão, a psicologia e a maçonaria, objetivando a construção do homem ideal e, por conseguinte, da sociedade exemplar. Uma excelente amostra desta mútua cooperação é a importância do significado dos símbolos contidos na “ideia” da Escada de Jacó. Mais importante ainda é o fato de que para compreendê-los devemos ser suficientemente curiosos para olharmos as nossas realidades por este filtro, os arquétipos da Escada de Jacó e da Árvore da Vida, ou seja, viver as experiências do cotidiano sob a luz desses poderosos componentes da psicologia humana. A primeira correlação da psicologia com a Escada, por esta ser uma via de subidas e descidas, refere-se à tomada de consciência como forma de crescimento pessoal. É como escalar a Árvore da Vida em seus vários estágios que são também condicion...

RUMO À EXCEPCIONALIDADE DA MAÇONARIA

Gosto de conversar com as pessoas interessantes que encontro e de ler. Sendo um sujeito que se considera jovem mesmo com mais de sessenta trinta anos, é natural que eu goste de ler muito e conversar com todas as pessoas interessantes que encontro, e com os Ir.’. MMaç.’., os assuntos variam enormemente, como seria de esperar de um grupo tão diverso; mas, em mais de uma ocasião eu me deparei com uma espécie de lamento maçônico do Século XXI. Direta ou indiretamente, eles aludem a um sentimento ou percepção que a Maçonaria não é o que costumava ser. É realmente? Receio não poder dizer com certeza. Infelizmente, não tive o prazer de estar aqui por tempo suficiente para experimentar, em primeira mão, os últimos seiscentos anos da Maçonaria. Quando o Poema Regius foi escrito em 1390, ninguém me enviou uma cópia. Quando as quatro lojas inglesas se encontraram para jantar em 1717 na cervejaria  Goose and Gridiron  para formar a Grand...

A RÉGUA DE 24 POL. E O CICLO CIRCADIANO

A régua de vinte e quatro polegadas, uma das ferramentas de trabalho da Maçonaria, nos ensina a fazer o melhor uso possível de nosso tempo. Hoje, somos conscientes que, num período de vinte e quatro horas, devemos distribuir nossas atividades para o trabalho, lazer, família, temas religiosos, maçonaria, para descanso, etc. O primeiro ensinamento é quanto as características básicas da régua, um instrumento simples, milenar, que nos ensina de uma forma mais simples ainda, o caminho direto entre dois pontos, dois destinos. Não é errado dizer que se tratar de um caminho entre a norma e a ordem, entre o que se quer fazer e o que se deve fazer, entre o passional e o racional, entre a direção da ponta do malho ao topo do cinzel, e que indica a própria construção do homem, a lapidação de sua forma mais bruta em busca da perfeição. Com a régua medimos um seguimento do infinito, uma parte de nossa vida, a retidão que buscamos - do ponto em que encontramos nossa PB até o momento em que a...

O HERÓI MAÇÔNICO: ENTRE A SOMBRA E A LUZ DA CONSCIÊNCIA

A Maçonaria, mais do que uma instituição fraternal, constitui-se como uma escola simbólica de transformação interior. Seus rituais e metáforas convidam o iniciado a percorrer um caminho que, longe de ser meramente cerimonial, reflete uma jornada arquetípica: a Jornada do Herói. Essa trajetória, estudada por Joseph Campbell e iluminada pela psicologia analítica de Carl Gustav Jung, encontra paralelos também nas tradições gnósticas, que enfatizam a busca pela luz interior e pelo conhecimento libertador. Assim, Maçonaria, Jung e Campbell convergem em um ponto essencial: o ser humano é chamado a atravessar sombras, integrar polaridades e conquistar uma consciência mais plena de si e do mundo. Para Jung, o herói é uma imagem primordial que simboliza o esforço humano em confrontar as forças do inconsciente, vencer a Sombra e abrir-se ao processo de individuação. Campbell, ao delinear o “monomito”, mostrou que a jornada heroica é universal, estruturada em três grandes momentos: Partida,...

LIBERDADE E DISCIPLINA: O PARADOXO FILOSÓFICO DA AUTONOMIA MAÇÔNICA

( Sexto  capítulo do livro (ver imagem de capa)  Caminhos Filosóficos para a Luz: Filosofia Viva nos Fundamentos da Arte Real ) de minha autoria. A entrada no paradoxo A Maçonaria, desde seus fundamentos simbólicos, se apresenta como uma escola de liberdade. Fala-se em libertar o homem da ignorância, da tirania dos instintos, do peso da inércia. O ideal maçônico evoca, com frequência, o brilho da consciência desperta e do homem autônomo, senhor de si. Mas não se tarda a perceber um paradoxo essencial: para ser verdadeiramente livre, o iniciado precisa aprender a obedecer. Obedecer não a um outro externo e autoritário, mas a um princípio interno, a um código simbólico e ético que transcende os caprichos do ego. E essa obediência só é possível com disciplina. Liberdade e disciplina - dois polos que parecem se opor, mas que na Maçonaria se abraçam. A liberdade como conquista, não ponto de partida Ao ingressar na Ordem, muitos acreditam estar recebendo a chancela da liberdade plen...

O “SIMBÓLICO” NA JORNADA DO INICIADO

  (Segundo capítulo do livro - ver imagem de capa - Simbolos da Alma: Maçonaria, Mitologia e Psicologia na Construção do Humano) de minha autoria. O símbolo nos revela como humanos. Agora, ao adentrar a jornada iniciática, percebemos que esses símbolos não são apenas estruturas conceituais: são forças que nos chamam, provocam e transformam. Se o primeiro passo é reconhecer o poder do símbolo, o segundo é ouvir o chamado que ele nos dirige — um convite à travessia interior. Todo caminho iniciático começa com um chamado. Não se trata de uma voz audível, mas de um desconforto interior, de uma sensação de que falta algo, de que há mais para ser vivido e compreendido. Esse chamado simbólico marca o início de uma travessia: da inconsciência para a consciência, do mundo comum para o mundo interior. Na tradição mitológica, esse chamado aparece como um convite à aventura — o herói é arrancado de sua zona de conforto e lançado em direção ao desconhecido. Na Maçonaria, esse mesmo movimento si...

O MAÇOM ESTOICO

Entre as muitas influências culturais e filosóficas que permeiam a Maçonaria, o estoicismo ocupa lugar especial. Desde a Grécia antiga, essa escola ensinava a viver com serenidade diante das adversidades, cultivando a virtude como único bem verdadeiro. Tal perspectiva encontra eco na Maçonaria, que também orienta o homem à busca da retidão, da liberdade interior e da construção de si mesmo como templo vivo. O maçom estoico não é um título formal, mas uma atitude diante da vida. É o irmão que entende que rituais e símbolos não têm valor em si mesmos, mas são instrumentos para o autoconhecimento, a disciplina e a transformação pessoal. Assim como Sêneca e Epicteto defendiam que a reflexão diária fortalece a alma, também a prática maçônica convida à meditação, ao silêncio e à vigilância interior. A história mostra que tanto o estoicismo quanto a Maçonaria floresceram em tempos de crise. A filosofia estoica nasceu para ajudar o homem a lidar com o acaso e a morte; a Maçonaria, por sua ...