A régua de vinte e quatro polegadas, uma das ferramentas de
trabalho da Maçonaria, nos ensina a fazer o melhor uso possível de nosso
tempo. Hoje, somos conscientes que, num período de vinte e quatro horas,
devemos distribuir nossas atividades para o trabalho, lazer, família, temas
religiosos, maçonaria, para descanso, etc.
O primeiro ensinamento é quanto as características básicas
da régua, um instrumento simples, milenar, que nos ensina de uma forma mais
simples ainda, o caminho direto entre dois pontos, dois destinos. Não é errado
dizer que se tratar de um caminho entre a norma e a ordem, entre o que se quer
fazer e o que se deve fazer, entre o passional e o racional, entre a direção da
ponta do malho ao topo do cinzel, e que indica a própria construção do homem, a
lapidação de sua forma mais bruta em busca da perfeição.
Com a régua medimos um seguimento do infinito, uma parte de
nossa vida, a retidão que buscamos - do ponto em que encontramos nossa PB até o
momento em que a tornamos Cub., para nós e para a sociedade em geral.
Os maçons que nos antecederam e que determinaram como usar
melhor o tempo, podem não ter conhecido todas as ramificações do ciclo de vinte
e quatro horas, algo que gostaria de aqui apresentar e comentar – O Ciclo
Circadiano. Esse ciclo é o período de 24 horas em que o relógio
biológico interno mantém as atividades e os processos fisiológicos do corpo
como metabolismo, sono e vigília, e é influenciado pela exposição à diferentes tipos de luminosidade ao longo do dia. Isto ocorre porque o
cérebro recebe estímulos diferentes quando é dia ou noite, produzindo hormônios
como cortisol e melatonina, alterando a temperatura corporal e regulando o
metabolismo para manter a pessoa acordada ou dormindo.
Além disso, cada pessoa
tem o seu próprio relógio biológico e por isso as pessoas são classificadas em
matutinas, vespertinas ou intermediárias, conforme os períodos de sono e
vigília que apresentam nas 24 horas do dia. O ciclo circadiano humano é controlado
pelo hipotálamo, uma região do cérebro que recebe os sinais sobre luz e
escuridão, captados pela retina nos olhos, e estabelece os padrões de sono e
vigília ao longo do dia, logo, entende-se que este relógio interno funciona
quer estejamos com fome ou satisfeitos, quer esteja escuro ou claro.
Esses sinais são transmitidos pelo hipotálamo para a
glândula hipófise no cérebro, que é responsável pela produção de um hormônio
chamado melatonina, que em resposta à escuridão tem seus níveis aumentados para
preparar o corpo para dormir, diminuindo a temperatura corporal, a pressão arterial, a frequência cardíaca, a
respiração, o metabolismo corporal e a atividade do sistema urinário.
Durante o dia, quando a retina detecta luz, a produção de
melatonina é inibida e o cérebro envia estímulos para as glândulas adrenais
(antes chamadas de suprarrenais) para aumentarem a produção de cortisol para
deixar o corpo mais alerta e aumentar a vigília durante o dia. Este hormônio
também pode aumentar em períodos de estresse ou estar mais elevado em condições
crônicas, o que pode comprometer o bom funcionamento do ciclo circadiano.
Alguns fatores podem contribuir para alterar o ritmo
circadiano como trabalhar à noite, gravidez, mudanças de fuso horário, uso de
remédios, mudanças de rotina como ficar acordado ou dormir até tarde,
menopausa, e até mesmo doenças como Alzheimer ou Parkinson, por exemplo. Dessa
forma, não só o sono é afetado, mas também pode causar distúrbios na produção
de hormônios, alterações da temperatura corporal, do metabolismo e dos hábitos
alimentares, o que pode levar ao desenvolvimento de diabetes, obesidade e
depressão.
Conta-se, inclusive, o caso de um cientista da Antártida,
onde fica claro por meses a fio, que foi para a cama quando sentiu
sono. Ele descobriu que se passava quinze minutos depois a cada dia até o
28º dia, quando o "tempo de sono" então voltava ao normal e
recomeçava.
Mesmo as plantas no escuro abrem e fecham as folhas em
intervalos regulares. Os bebês recém-nascidos adquirem o ritmo circadiano
em dezesseis semanas ou menos. Aves e lagartos que foram criados em salas
à prova de som com controle de temperatura e luz vieram pelo ritmo circadiano
sem nunca ver a luz do dia ou qualquer outro ser vivo. Cientistas
confinados em cavernas onde não havia luz logo aderiram ao relógio interno
de 24 horas, embora sua concepção do tempo fosse falha.
Tentativas foram feitas para mudar o ciclo para 12, 18 ou 48
horas, mas aqueles que participaram do experimento tornaram-se irritáveis e propensos a erros. O jet
lag, por exemplo, está relacionado ao ritmo circadiano e ocorre quando o
ritmo normal é alterado. Os sintomas, familiares à maioria dos viajantes,
incluem fadiga, tendência ao erro e mal-estar geral. Além do ciclo circadiano de vinte e quatro horas, existem
ciclos mais longos, conhecidos como ciclos infradianos. O ciclo feminino
de 29 dias é um deles, mas os homens também têm um ciclo semelhante, que não é
tão pronunciado. O ciclo no homem é de duração semelhante e foi confirmado
por estudos hormonais.
Esse assunto evoluiu até obter-se algumas conclusões
interessantes como o fato de que as mortes por arteriosclerose foram maiores em
janeiro. As mortes acidentais foram mais prevalentes em julho e agosto, e
os suicídios, maiores em maio.
Considerando, mais uma vez, o ciclo circadiano de 24 horas,
alguns estudos determinaram que mais humanos morrem por volta das seis da
manhã, mais ataques cardíacos e derrames ocorrem por volta das nove da manhã e
o pico ocorre o parto nas mulheres é entre uma e sete da manhã. O desempenho
físico é pior entre duas e seis da manhã e, como resultado, há mais acidentes com um carro nesse período. Um outro estudo acentuou as variações físicas diárias quando
davam a ratos uma dosagem idêntica do medicamento em dois momentos diferentes
do dia. Dos ratos que receberam a droga durante o ciclo ativo, uma alta
porcentagem morreu, enquanto aqueles que receberam a mesma dosagem durante o
ciclo de repouso tiveram apenas uma morte em dez.
Isso leva à especulação de que pode chegar um dia em que os
médicos manterão uma espécie de mapa circadiano para cada paciente. As
informações nesse mapa determinariam o melhor momento para a medicação ou
tratamento mais eficaz. Observa-se, por exemplo, sucesso em alterar alguns
padrões circadianos defeituosos pelo uso de luz - muito mais brilhante do que a
iluminação média de uma sala - aplicando-a cientificamente para obter as
mudanças desejadas. O tratamento foi aplicado a pacientes que sofrem de
depressão, fadiga ou distúrbios do sono.
Embora ainda haja muito a aprender, a presença de ciclos
rítmicos em humanos e animais está bem estabelecida.
Nossos antepassados maçônicos, que usaram a régua de vinte e
quatro polegadas como uma medida para dividir sabiamente nosso tempo, podem não ter conhecido o ritmo circadiano, mas certamente reconheceram
a importância de aderir a uma programação de bem-estar pessoal.
Ir\ Paulo C. T. Ribeiro, M\I\
A\R\B\L\S\ Quintino Bocaiuva, 10
Or\ de São Paulo, G\L\E\S\P\

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