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Mostrando postagens de setembro 18, 2025

SER DUAL: LUZ E SOMBRA NA ARTE REAL

(Oitavo capítulo do livro (ver imagem de capa) Sintropia e Entropia na Maçonaria: Ordo Ab Chao) de minha autoria. “Conhecer a própria escuridão é o melhor método para lidar com as trevas dos outros.” - Carl Jung A busca pela Luz, tema axial na simbologia maçônica, é frequentemente interpretada como um anseio por pureza, elevação ou iluminação espiritual. Contudo, o caminho iniciático nos convida a ir além dessa interpretação superficial. A Luz que a Maçonaria propõe não se opõe à escuridão como inimiga, nem pretende apagar a sombra como se fosse um erro a ser corrigido. Ela é, antes, um movimento de consciência: o esforço constante e corajoso de reconhecer, integrar e transcender as partes de nós que resistimos em ver. Nesse sentido, a jornada do iniciado não é uma fuga da sombra, mas um retorno a ela - com lucidez, presença e humildade. Na tradição esotérica e simbólica, Luz e trevas não são opostos excludentes, mas polaridades complementares de um mesmo processo de autoconhecimen...

A ESCADA DE JACÓ E PSICOLOGIA

A psicologia recebe contribuições inestimáveis da Maçonaria e vice-versa, ora por estudos que ambas realizam, ora pela interpretação de símbolos e mistérios da mente humana, ou simplesmente porque estão, a psicologia e a maçonaria, objetivando a construção do homem ideal e, por conseguinte, da sociedade exemplar. Uma excelente amostra desta mútua cooperação é a importância do significado dos símbolos contidos na “ideia” da Escada de Jacó. Mais importante ainda é o fato de que para compreendê-los devemos ser suficientemente curiosos para olharmos as nossas realidades por este filtro, os arquétipos da Escada de Jacó e da Árvore da Vida, ou seja, viver as experiências do cotidiano sob a luz desses poderosos componentes da psicologia humana. A primeira correlação da psicologia com a Escada, por esta ser uma via de subidas e descidas, refere-se à tomada de consciência como forma de crescimento pessoal. É como escalar a Árvore da Vida em seus vários estágios que são também condicion...

RUMO À EXCEPCIONALIDADE DA MAÇONARIA

Gosto de conversar com as pessoas interessantes que encontro e de ler. Sendo um sujeito que se considera jovem mesmo com mais de sessenta trinta anos, é natural que eu goste de ler muito e conversar com todas as pessoas interessantes que encontro, e com os Ir.’. MMaç.’., os assuntos variam enormemente, como seria de esperar de um grupo tão diverso; mas, em mais de uma ocasião eu me deparei com uma espécie de lamento maçônico do Século XXI. Direta ou indiretamente, eles aludem a um sentimento ou percepção que a Maçonaria não é o que costumava ser. É realmente? Receio não poder dizer com certeza. Infelizmente, não tive o prazer de estar aqui por tempo suficiente para experimentar, em primeira mão, os últimos seiscentos anos da Maçonaria. Quando o Poema Regius foi escrito em 1390, ninguém me enviou uma cópia. Quando as quatro lojas inglesas se encontraram para jantar em 1717 na cervejaria  Goose and Gridiron  para formar a Grand...

A RÉGUA DE 24 POL. E O CICLO CIRCADIANO

A régua de vinte e quatro polegadas, uma das ferramentas de trabalho da Maçonaria, nos ensina a fazer o melhor uso possível de nosso tempo. Hoje, somos conscientes que, num período de vinte e quatro horas, devemos distribuir nossas atividades para o trabalho, lazer, família, temas religiosos, maçonaria, para descanso, etc. O primeiro ensinamento é quanto as características básicas da régua, um instrumento simples, milenar, que nos ensina de uma forma mais simples ainda, o caminho direto entre dois pontos, dois destinos. Não é errado dizer que se tratar de um caminho entre a norma e a ordem, entre o que se quer fazer e o que se deve fazer, entre o passional e o racional, entre a direção da ponta do malho ao topo do cinzel, e que indica a própria construção do homem, a lapidação de sua forma mais bruta em busca da perfeição. Com a régua medimos um seguimento do infinito, uma parte de nossa vida, a retidão que buscamos - do ponto em que encontramos nossa PB até o momento em que a...

O HERÓI MAÇÔNICO: ENTRE A SOMBRA E A LUZ DA CONSCIÊNCIA

A Maçonaria, mais do que uma instituição fraternal, constitui-se como uma escola simbólica de transformação interior. Seus rituais e metáforas convidam o iniciado a percorrer um caminho que, longe de ser meramente cerimonial, reflete uma jornada arquetípica: a Jornada do Herói. Essa trajetória, estudada por Joseph Campbell e iluminada pela psicologia analítica de Carl Gustav Jung, encontra paralelos também nas tradições gnósticas, que enfatizam a busca pela luz interior e pelo conhecimento libertador. Assim, Maçonaria, Jung e Campbell convergem em um ponto essencial: o ser humano é chamado a atravessar sombras, integrar polaridades e conquistar uma consciência mais plena de si e do mundo. Para Jung, o herói é uma imagem primordial que simboliza o esforço humano em confrontar as forças do inconsciente, vencer a Sombra e abrir-se ao processo de individuação. Campbell, ao delinear o “monomito”, mostrou que a jornada heroica é universal, estruturada em três grandes momentos: Partida,...