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ESCADA, COMPASSO, MAPA DA CONSCIÊNCIA

  (Nono capítulo do livro Simbolos da Alma: Maçonaria, Mitologia e  Psicologia  na  Construção do Humano  (ver imagem de capa), de minha autoria. A alma simbólica precisa de mapas. Assim como os antigos navegadores buscavam estrelas para não se perderem no mar, também o buscador interior precisa de referências para atravessar os labirintos de si. É por isso que os símbolos orientam: não porque expliquem, mas porque indicam. São setas, não manuais. São convites, não garantias. Entre os muitos símbolos que atravessam as tradições iniciáticas, alguns se destacam por sua capacidade de mapear o processo psíquico: a escada, o compasso, a régua, o esquadro. Ferramentas simples, mas carregadas de sentido. Na Maçonaria, esses objetos não servem para construir edifícios externos, mas para erigir o templo interior. A escada é um símbolo ancestral da ascensão da consciência. Presente nos sonhos bíblicos, nos mistérios egípcios e nas visões xamânicas, ela representa...

A PSICOLOGIA NA MAÇONARIA

Tenho uma propensão a interpretar a maçonaria num contexto psicológico e isso é uma constante, mas deixo claro que a Maçonaria precede a psicologia e é improvável que os irmãos que criaram a nossa Ordem tiveram a intenção de considerá-la – a psicologia – nos símbolos, alegorias e mitos. Mas que há “algo mais”, isso sim, tenho certeza, afinal, não é difícil aceitar que eles representam a estrutura de nosso próprio ser interior, ou templo interior. O que um psicólogo comum, não maçom, diria sobre as coisas que nós, obreiros, fazemos em nossas reuniões na Loja? Mais do que provável, ele consideraria nossas atividades uma expressão de impulsos, motivos e motivações ancestrais e universais que datam do início da história humana. Os psicólogos têm notado que, em cada única cultura os homens parecem ser motivados ou conduzidos por três instintos básicos ou impulsos: Um instinto de se reunir em grupos para desfrutar da companhia uns dos outros. Os homens, em particular, parecem ter um...

AS MÚLTIPLAS RAZÕES PARA O MAÇOM INGRESSAR NO TEMPLO COM O PÉ ESQUERDO

Ingressar no Templo é um dos atos mais significativos da vida maçônica. Cada detalhe do rito carrega sentidos ocultos e camadas de tradição. Entre eles, o ato de iniciar a entrada ou a marcha com o pé esquerdo se destaca por sua antiguidade, pelo simbolismo associado e também pelas controvérsias que desperta. Embora não seja um costume universal em todos os ritos, especialmente quando se trata do ingresso literal pela porta, essa prática possui profundas raízes históricas, filosóficas, psicológicas e ritualísticas, que a tornam um tema recorrente de estudo e reflexão. Origens Históricas e Culturais Nas representações egípcias, faraós e divindades são comumente retratados com o pé esquerdo à frente, como sinal de que estavam dando o “primeiro passo” rumo a uma nova vida. Esse costume, herdado também pelos gregos, simbolizava espiritualidade, sacralidade e poder de renovação. Posteriormente, os exércitos antigos adotaram a marcha iniciada com o pé esquerdo como um presságio de sorte ...

INICIAÇÃO, O PORTAL PARA SI MESMO

(Segundo capítulo do livro A Pedra e a Psique: Psicoterapia e Maçonaria como Caminhos de  Descoberta (ver imagem de capa), de minha autoria. Nenhuma verdadeira jornada de transformação começa do lado de fora. Mesmo quando tudo parece externo - o ritual, a cerimônia, a sessão de terapia - o que realmente se inicia é um movimento interno. É o próprio ser que começa a se mover em direção a si. A isso, chamamos, nas tradições espirituais e na psicologia profunda, de iniciação. E toda iniciação, seja formal ou silenciosa, tem um elemento em comum: ela marca o instante em que alguém decide nascer de novo . Na Maçonaria, o termo “iniciar” carrega uma força simbólica ancestral. Não se trata apenas de ingressar em uma irmandade ou passar por uma cerimônia solene. A iniciação é um ritual de passagem, uma espécie de parto simbólico em que o neófito - ainda inconsciente de sua nova condição - atravessa um limiar entre o conhecido e o misterioso. Ao ser despojado dos metais, vendado e conduzido...

MAÇONS QUE NÃO LIDAM BEM COM AS CRÍTICAS

Você é um irmão que não aceita críticas ou uma verdade quando é falada por um outro irmão? Então, você precisa refletir a respeito disso! Antes da refletir, contudo, é bom saber que uma crítica envolve um juízo intencional, no sentido de refletir sobre em que se deve crer ou de como reagir a um exame minucioso, a uma vivência, a uma manifestação oral ou textual, e até mesmo a proposições alheias. Ele também está ligado à definição do conteúdo e do valor do objeto da observação. Relativamente a certa conclusão ou raciocínio, este pensamento avalia se há uma razão apropriada para acatar a tese como algo verdadeiro ou adequado. Atualmente, o termo “crítica” infelizmente vem com um sentido negativo, de reprovação, o que nem sempre corresponde à realidade quando se trata de pensamento crítico. Esta forma de pensar não é construída sobre métodos intransigentes e velozes, e sim em concepções e preceitos. Ela não se vale tão somente da lógica, mas também de noções mentais mais vastas, tais co...

O ETARISMO NA MAÇONARIA

  Mini palestra preparada para a XXX Jornada Maçônica do Brasil sobre o Etarismo na Maçonaria Deixe a sua opinião a respeito deste assunto. 

O SALMO 133 E SUA INTERPRETAÇÃO PSICOLÓGICA NA MAÇONARIA

O Salmo 133 é um dos textos mais conhecidos e utilizados na Maçonaria. Recitado tradicionalmente na abertura das Lojas de Aprendizes, ele transcende seu contexto religioso original e se torna um hino de fraternidade, harmonia e união. Sob a ótica psicológica, seu conteúdo ilumina as necessidades humanas de pertencimento, coesão e sentido coletivo — valores que também são pilares da Maçonaria. “Oh! Quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união!” não é apenas um louvor poético; é um convite a uma vivência psíquica profunda, que integra espiritualidade, ética e convivência fraterna. A União como Necessidade Psicológica A Psicologia reconhece que o ser humano só se desenvolve de modo saudável dentro de grupos que lhe oferecem vínculos de pertencimento. A ausência desse suporte gera angústia, isolamento e sintomas neuróticos. O Salmo 133, ao exaltar a beleza da convivência harmoniosa, reflete essa necessidade essencial da psique: estar com o outro em segurança, partilhando confiança ...

LIDERANÇA MAÇÔNICA E A CONSTRUÇÃO SOCIAL

Artigo Publicado anteriormente na revista "A Verdade" da GLE SP Quando a nação tem líderes inteligentes e sensatos, ela se torna forte e  firme -  Rei Salomão - Pv 28:2 De tempos em tempos, todos nós repensamos a vida e fazemos resoluções costumeiramente positivas sobre nossas formas de agir. Como obreiros da Arte Real, dizemos que são decisões conseqüentes e, ao mesmo tempo, incentivadoras do perseverante processo de lapidação e construção do Templo Interior; mas cabe aqui um questionamento: você associa sua evolução pessoal com as responsabilidades de um maçom no que concerne ao desenvolvimento da sociedade? Esta é uma questão que, por ser sempre hodierna e justificada pelas urgências da realidade social brasileira, merece atenção especial. A realidade não deve ser percebida apaixonadamente; por outro lado, tal como os budistas, será plena a nossa atuação se existir compaixão em nossos corações. Assim, serão mais interessantes as resoluções que, com essa consciência íntima,...

SER DUAL: LUZ E SOMBRA NA ARTE REAL

(Oitavo capítulo do livro (ver imagem de capa) Sintropia e Entropia na Maçonaria: Ordo Ab Chao) de minha autoria. “Conhecer a própria escuridão é o melhor método para lidar com as trevas dos outros.” - Carl Jung A busca pela Luz, tema axial na simbologia maçônica, é frequentemente interpretada como um anseio por pureza, elevação ou iluminação espiritual. Contudo, o caminho iniciático nos convida a ir além dessa interpretação superficial. A Luz que a Maçonaria propõe não se opõe à escuridão como inimiga, nem pretende apagar a sombra como se fosse um erro a ser corrigido. Ela é, antes, um movimento de consciência: o esforço constante e corajoso de reconhecer, integrar e transcender as partes de nós que resistimos em ver. Nesse sentido, a jornada do iniciado não é uma fuga da sombra, mas um retorno a ela - com lucidez, presença e humildade. Na tradição esotérica e simbólica, Luz e trevas não são opostos excludentes, mas polaridades complementares de um mesmo processo de autoconhecimen...