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MAÇONS QUE NÃO LIDAM BEM COM AS CRÍTICAS


Você é um irmão que não aceita críticas ou uma verdade quando é falada por um
outro irmão? Então, você precisa refletir a respeito disso!

Antes da refletir, contudo, é bom saber que uma crítica envolve um juízo intencional, no sentido de refletir sobre em que se deve crer ou de como reagir a um exame minucioso, a uma vivência, a uma manifestação oral ou textual, e até mesmo a proposições alheias. Ele também está ligado à definição do conteúdo e do valor do objeto da observação. Relativamente a certa conclusão ou raciocínio, este pensamento avalia se há uma razão apropriada para acatar a tese como algo verdadeiro ou adequado.

Atualmente, o termo “crítica” infelizmente vem com um sentido negativo, de reprovação, o que nem sempre corresponde à realidade quando se trata de pensamento crítico.

Esta forma de pensar não é construída sobre métodos intransigentes e velozes, e sim em concepções e preceitos. Ela não se vale tão somente da lógica, mas também de noções mentais mais vastas, tais como nitidez, confiabilidade, precisão, importância, valor expressivo. Além disso, exige exatidão, igualdade e indícios, uma vez que tem como meta impedir que se recorra às visões pessoais. Por meio desta prática, o sujeito invoca os elementos cognitivos e o intelecto para atingir uma postura aceitável e compreensível acerca de uma dada proposição. Em outras palavras, o pensamento crítico não tem a intenção de transmitir uma visão pessimista do contexto nem apresentar uma tendência a achar imperfeições e erros. Também não pretende modificar a mentalidade dos indivíduos ou ocupar o lugar reservado à afetividade e aos sentimentos.

Focando a Sublime Arte, sabemos que na Maçonaria há pessoas com muita dificuldade em aceitar e ouvir a opinião de outro irmão, e, de certo modo, podemos dizer que sentir-se acuado frente a uma oposição tem também o seu grau de normalidade. Mas estou me referindo ao Irmão que reage com intensidade frente à crítica. Para esse obreiro, mesmo os conselhos bem- intencionados não são fáceis de ouvir, especialmente se não forem solicitados. Para ele, tudo o que se ouve são críticas consideradas negativas. Pode ser o Venerável Mestre dando alguns conselhos amigáveis ​​sobre como fazer algo de forma melhor na próxima vez, ou mesmo um afetivo irmão querendo dizer algo que será útil para o criticado (embora seja desconfortável ouvir), ou mesmo um membro querido da Loja tentando resolver um desentendimento qualquer. Tudo é visto como crítica ruim, oposição ou acusação.

Ouvir pensamentos críticos e ser criticado faz parte do dia a dia maçônico, principalmente quando estamos com nossos irmãos livres pensadores num ambiente de desenvolvimento pessoal como um Templo Maçônico; mas a verdade é que até podemos gostar de pensar que aceitamos facilmente as críticas, mas, ao contrário, a maioria de nós não é tão boa nesse quesito. Alguns a experimentam como um ataque pessoal, um comentário doloroso e, em alguns casos, vergonhoso, algo que machuca e incomoda. Muitas vezes, quando se ouve o que parece ser uma crítica, as defesas aumentam imediatamente. O irmão que assim reage mira e rebate as críticas para bem longe, além do limite, e simultaneamente (e inconscientemente), revê os próprios mecanismos de defesa (do tipo culpar os outros, fazer piadas, ficar com raiva, ficar indignado e todas as outras maneiras) a fim de evitar ouvir o que está sendo dito. Como é um processo inconsciente, é claro que não se sabe o que a pessoa está fazendo, todavia, ele está literalmente se defendendo da verdade que está sendo manifestada sobre ele mesmo, com riscos de ser, ademais, uma expressão da própria vaidade narcísica. Creio que essa situação deve incomodar mais aquele irmão que, erroneamente, se sente como o eterno responsável pela Loja ou pelos que são identificados como “donos de Loja” - uma coisa que efetivamente não existe pois uma Loja é a Assembléia de Irmãos que a compõe. Outros, são apegados ao poder, se sentem inseguros frente aos demais e se preocupam excessivamente com a sua autoimagem, sem levar em conta que estamos entre irmãos numa Loja Maçônica e que a tolerância é uma das mais valorizadas virtudes entre nós.

Pode ser mais fácil ver isso acontecendo em outros irmãos, quando somos “expectadores”, pois estão além de nós mesmos. De fato, há irmãos que são espinhosos e difíceis de se aproximar, há alguns que rapidamente ficam perturbados com a sugestão de desafio e tem outros tão escorregadios que falar com eles é como correr atrás de um sabonete ao redor da banheira.

Talvez você possa até estar reconhecendo um pouco de si mesmo nessas descrições. Saiba, então, que, às vezes, as defesas são úteis pois há momentos (uma reunião maçônica) e lugares (um Templo) em que se deve evitar desafios ou contendas desnecessárias. O problema surge quando não há a consciência do uso dessas estratégias defensivas, o que é típico de irmãos que não agüentam a verdade, não superam a vaidade, o narcisismo e a intolerância.

Vale a pena refletir: se as críticas são muito mais difíceis de ouvir, será que houve tempo suficiente para conhecer bem a si mesmo, incluído as partes “não tão boas”, enquanto lapidava a Pedra Bruta? O Irmão refletiu sobre o que pode melhorar ou sobre os aspectos que deve mudar completamente? Se um irmão ainda não usou o seu malho e cinzel para conhecer-se e encarar as características pessoais, realmente quando alguém “tocar” num destes pontos a melhorar e focar a atenção neles, há o perigo de se perder a razão, chatear-se e até mesmo mostrar alguma agressividade, o que significa necessidade urgente de polimento na Pedra Bruta.

É possível mudar de atitude? Claro que sim! Quando estivermos em Loja e formos confrontados com novas informações que desafiam as nossas posições, é claro que é sempre produtivo ouvir e tentar descobrir se há alguma verdade por trás disso! O fato é que (verdade seja dita), as pessoas não se conhecem tão bem quanto pensam. Da próxima vez, em vez de reagirmos negativa, agressiva e imediatamente às críticas, perguntemo-nos:
  • Há algo nisso que pode ser útil para mim?
  • Essas observações me ajudariam a ser um maçom melhor?
  • São pontos que ainda considerei na lapidação de minha Pedra Bruta?
Se pudermos fazer isso, estaremos sempre abertos a mudanças. E quando alguém está aberto para mudar, cresce constantemente como pessoa e como maçom, tornando-se mais sábio e mais capaz de navegar pelo mundo e em seus relacionamentos como um verdadeiro e sábio mestre maçom.

Convém lembrar que a Maçonaria tem a intenção de tornar bons homens ainda melhores através de estudos, ensino e lições, e principalmente, efetivar os valores através da aplicação deles no dia a dia, inclusive nos relacionamentos entre os irmãos. Nossos valores são baseados na integridade, justiça, verdade, gentileza, fraternidade e outros, tendo o amor fraternal entre os membros da Ordem como a Regra de Ouro. O que garante o sentimento de pertencimento à Maçonaria é aquilo que reforça a legitimidade da própria Ordem, e é através do contato com maçons, aceitando seus ensinamentos e filosofias de vida, que se gera um bom modo de conduta moral. Aqueles que se adequam a este modelo se destacam e tem maiores chances de darem continuidade a esse aprimoramento pessoal dentro da maçonaria.

Evidentemente ninguém gosta de ser alvo de críticas. Mas também não se pode evitar que determinados aspectos do caráter de alguém ou da forma como ele se comporta não agrade a todos os irmãos com quem convivemos. Podemos, assim, adotar algumas medidas para reagirmos bem a esse fato inevitável na vida que é ser criticado.

O que fazer perante uma crítica?
  • Estar convicto que uma crítica não é um ataque pessoal.
  • Aceitar que não vai poder agradar a todos e que algumas características pessoais podem incomodar os outros.
  • Pedir a algum irmão mais próximo que lhe diga se essa crítica tem algum fundamento e que lhe ajude a aceitá-la caso tenha fundamento.
  • Avaliar se o que lhe foi dito tem um fundo de verdade e se pode usar isso para melhorar. Se, pelo contrário, achar que é uma característica positiva, defenda-a e continue a agir como sempre.
  • Se errar, pedir desculpa. Isto fará com que a sua autoestima melhore, bem como a percepção que tem da sua capacidade perante conflitos e a imagem que os outros têm de si.
  • Agradecer e reter a parte da crítica que a ajuda a crescer e evoluir.
  • Não reter apenas as críticas: pense também em tudo o faz bem, os seus êxitos, a sua capacidade de adaptar-se às mudanças e os seus pontos fortes.
Então, irmão, sempre que ouvir uma crítica não leve para o lado pessoal e considere o comentário como se fosse uma tatuagem que nunca vai sair de você. Tudo muda, as pessoas mudam e você muda. Só que a questão é, como propõe a Arte Real, mudar para melhor, evoluir e não deixar que esses empecilhos da vida sejam obstáculos intransponíveis que não lhe deixam correr atrás de seus sonhos maçônicos e conquistá-los. Você pode o que você quiser, acredite!

Concluindo, gostaria de reforçar que o primeiro passo é “parar” na próxima vez que você se sentir criticado, manter a calma, segurar o ímpeto de reagir e perguntar a si mesmo se existe alguma verdade nisso, mesmo que seja apenas um pouquinho. Aprenda a ouvir, classifique as informações úteis e deixe essas informações úteis “entrarem em sua mente”. Por mais dolorosa que a verdade possa ser a curto prazo, os benefícios de conhecer melhor a si mesmo serão fantásticos e duradouros.

Ir\ Paulo C. T. Ribeiro, M\I\
A\R\B\L\S\ Quintino Bocaiuva, 10
Or\ de São Paulo, G\L\E\S\P\
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