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A RÉGUA DE 24 POL. E O CICLO CIRCADIANO

A régua de vinte e quatro polegadas, uma das ferramentas de trabalho da Maçonaria, nos ensina a fazer o melhor uso possível de nosso tempo. Hoje, somos conscientes que, num período de vinte e quatro horas, devemos distribuir nossas atividades para o trabalho, lazer, família, temas religiosos, maçonaria, para descanso, etc. O primeiro ensinamento é quanto as características básicas da régua, um instrumento simples, milenar, que nos ensina de uma forma mais simples ainda, o caminho direto entre dois pontos, dois destinos. Não é errado dizer que se tratar de um caminho entre a norma e a ordem, entre o que se quer fazer e o que se deve fazer, entre o passional e o racional, entre a direção da ponta do malho ao topo do cinzel, e que indica a própria construção do homem, a lapidação de sua forma mais bruta em busca da perfeição. Com a régua medimos um seguimento do infinito, uma parte de nossa vida, a retidão que buscamos - do ponto em que encontramos nossa PB até o momento em que a...

O HERÓI MAÇÔNICO: ENTRE A SOMBRA E A LUZ DA CONSCIÊNCIA

A Maçonaria, mais do que uma instituição fraternal, constitui-se como uma escola simbólica de transformação interior. Seus rituais e metáforas convidam o iniciado a percorrer um caminho que, longe de ser meramente cerimonial, reflete uma jornada arquetípica: a Jornada do Herói. Essa trajetória, estudada por Joseph Campbell e iluminada pela psicologia analítica de Carl Gustav Jung, encontra paralelos também nas tradições gnósticas, que enfatizam a busca pela luz interior e pelo conhecimento libertador. Assim, Maçonaria, Jung e Campbell convergem em um ponto essencial: o ser humano é chamado a atravessar sombras, integrar polaridades e conquistar uma consciência mais plena de si e do mundo. Para Jung, o herói é uma imagem primordial que simboliza o esforço humano em confrontar as forças do inconsciente, vencer a Sombra e abrir-se ao processo de individuação. Campbell, ao delinear o “monomito”, mostrou que a jornada heroica é universal, estruturada em três grandes momentos: Partida,...

LIBERDADE E DISCIPLINA: O PARADOXO FILOSÓFICO DA AUTONOMIA MAÇÔNICA

( Sexto  capítulo do livro (ver imagem de capa)  Caminhos Filosóficos para a Luz: Filosofia Viva nos Fundamentos da Arte Real ) de minha autoria. A entrada no paradoxo A Maçonaria, desde seus fundamentos simbólicos, se apresenta como uma escola de liberdade. Fala-se em libertar o homem da ignorância, da tirania dos instintos, do peso da inércia. O ideal maçônico evoca, com frequência, o brilho da consciência desperta e do homem autônomo, senhor de si. Mas não se tarda a perceber um paradoxo essencial: para ser verdadeiramente livre, o iniciado precisa aprender a obedecer. Obedecer não a um outro externo e autoritário, mas a um princípio interno, a um código simbólico e ético que transcende os caprichos do ego. E essa obediência só é possível com disciplina. Liberdade e disciplina - dois polos que parecem se opor, mas que na Maçonaria se abraçam. A liberdade como conquista, não ponto de partida Ao ingressar na Ordem, muitos acreditam estar recebendo a chancela da liberdade plen...

O “SIMBÓLICO” NA JORNADA DO INICIADO

  (Segundo capítulo do livro - ver imagem de capa - Simbolos da Alma: Maçonaria, Mitologia e Psicologia na Construção do Humano) de minha autoria. O símbolo nos revela como humanos. Agora, ao adentrar a jornada iniciática, percebemos que esses símbolos não são apenas estruturas conceituais: são forças que nos chamam, provocam e transformam. Se o primeiro passo é reconhecer o poder do símbolo, o segundo é ouvir o chamado que ele nos dirige — um convite à travessia interior. Todo caminho iniciático começa com um chamado. Não se trata de uma voz audível, mas de um desconforto interior, de uma sensação de que falta algo, de que há mais para ser vivido e compreendido. Esse chamado simbólico marca o início de uma travessia: da inconsciência para a consciência, do mundo comum para o mundo interior. Na tradição mitológica, esse chamado aparece como um convite à aventura — o herói é arrancado de sua zona de conforto e lançado em direção ao desconhecido. Na Maçonaria, esse mesmo movimento si...

O MAÇOM ESTOICO

Entre as muitas influências culturais e filosóficas que permeiam a Maçonaria, o estoicismo ocupa lugar especial. Desde a Grécia antiga, essa escola ensinava a viver com serenidade diante das adversidades, cultivando a virtude como único bem verdadeiro. Tal perspectiva encontra eco na Maçonaria, que também orienta o homem à busca da retidão, da liberdade interior e da construção de si mesmo como templo vivo. O maçom estoico não é um título formal, mas uma atitude diante da vida. É o irmão que entende que rituais e símbolos não têm valor em si mesmos, mas são instrumentos para o autoconhecimento, a disciplina e a transformação pessoal. Assim como Sêneca e Epicteto defendiam que a reflexão diária fortalece a alma, também a prática maçônica convida à meditação, ao silêncio e à vigilância interior. A história mostra que tanto o estoicismo quanto a Maçonaria floresceram em tempos de crise. A filosofia estoica nasceu para ajudar o homem a lidar com o acaso e a morte; a Maçonaria, por sua ...